
(Peter Cohen, suécia,diálogo em sueco, 121 min, legenda português Brasil)
Este filme é considerado um dos melhores estudos sobre o Nazismo. Lembra que chamar Hitler de artista medíocre não elimina os estragos causados por sua estratégia de conquista universal. O arquiteto da destruição tinha grandes pretensões e queria dar uma dimensão absoluta à sua megalomania. O nazismo tinha como princípio fundamental embelezar o mundo, nem que para isso tivesse que destruí-lo. Esse documentário traça a trajetória de Hitler e de alguns de seus mais próximos colaboradores, com a arte. Muito antes de chegar ao poder, o líder nazista sonhou em tornar-se artista, tendo produzido várias gravuras, que posteriormente foram utilizadas como modelo em obras arquitetônicas. Destaca ainda a importância da arte na propaganda, que por sua vez teve papel fundamental no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
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Dentro do marxismo tentou-se compreender a subjetividade patológica do nazismo a partir de um aporte da teoria psicanalítica. Apesar de ser uma questão problemática e até mesmo anti-materialista (a tentativa de explicação de esferas superestruturais, a saber estética, simbologia, moral etc., através de distorções na personalidade de indivíduos tomados por si só), há possíveis contribuições, mesmo sendo subjetivista e personalista. Sartre, Adorno, Reich, foram alguns que se arriscaram nessa via, e basicamente relacionavam a subjetividade nazista enquanto perversa (anal-fálica), uma psicopatologia que atingia níveis macros. Assim, também relacionavam o nazi-fascismo à homossexualidade (ou à feminilidade perversa) e à personalidade sádica/autoritária. As análises "clínicas" do fenômeno ganhavam respaldos empíricos na terror de estado esteticamente planeja e sua aprovação em massa, assim como na grande incidência de homossexuais no próprio regime onde se valorizava a cultura máscula e misógina e se criminalizava a homossexualidade na esfera pública. A própria URSS se utilizou ideologicamente dessa relação no combate ao nazi-fascismo, o que culminou em propagandas anti-homossexuais/pró-família soviética, e na recriminalização da homossexualidade (principalmente masculina) na constituição de 34, marco de um retrocesso histórico, já que na primeira constituição bolchevique foram realizados diversos avanços na política sexual que nem países "democráticos" e capitalistas avançados da europa alcançaram, como legalização do aborto, facilidade no divórcio e total legalização da homossexualidade.
ResponderExcluirSe na visão pessimista de Freud o mal-estar da cultura causado pela repressão do libido é nossa única saída para a continuidade da sociedade, e condição fundante da civilização, a "libertação" desse mecanismo conteria uma dimensão destrutiva imensa. O ideário nazista, provindo da visão aristocrática nietzscheana, que tenta buscar na tragédia grega a justificativa estética da escravidão, da dor e do terror, seria essa busca destrutiva contra os pilares nos quais o ocidente se ergue, que, mesmo com suas limitações, são reivindicados pelo socialismo e superados dialeticamente pelo mesmo. O nazismo é a barbárie em si. O exército vermelho foi, assim, a salvação de tudo aquilo que entendemos por razão ocidental e, desse ponto de vista, todo o terror menor é justificável diante a possibilidade apocalíptica de limpeza racial.
Ah, sim: lembrando que as pesquisas de Frankfurt da primeira geração tendem a aproximar a lógica cultural do nazismo com as sociedades capitalistas ocidentais (o próprio exílio de Adorno/Marcuse nos EUA trará fortes consequências para seus pensamentos: a opressão que sofriam na realidade crua do 3º reich não estava tão distante da dissumulada democracia de mercado... Adorno constata a morte da arte e o nascimento da subcultura e Marcuse a cooptação do proletariado à vida consumista). Na época a ascensão do cinema e do marketing e sua utilização massiva pelo regime dominante tinham grandes semelhanças na alemanha e eua: a tentativa de forjar o imaginário popular para colocá-lo a serviço de sua própria exploração e alienação. A influência disso para o movimento estudantil europeu dos anos 60/70 será nítida: a desilusão dos jovens ao ver que a sociedade do consumo e o falido império nazi-fascista que seus pais combateram são ambos sociedades do espetáculo.
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