domingo, 20 de março de 2011

Documentário Sonhos de Cidadania (2011)

(Brasil, 2011, 39 min. - Direção: Marcelo Del Mastro)

Brasília, apesar de ser rica e planejada, esconde algo desumano: seus trabalhadores mais humildes, que vem das cidades satélites, como as empregadas, os jardineiros, as copeiras, na grande maioria não tem lugar adequado onde deixar suas crianças enquanto trabalham. Na periféria há uma carência enorme de creches, na maioria das vezes as crianças ficam em casa sozinhas, ou até mesmo nas ruas. Nesse contexto, nasceram as creches de líderes comunitárias, que apesar de todas as dificuldades financeiras, dão um local para comer, brincar, dormir e aprender.
Apesar de todas elas tirarem recursos do próprio bolso e de até mesmo se endividarem, o problema pode ser maior ainda. O poder público do Distrito Federal além de não criar creches nesses locais, de não ajudar as que existem, pode fechar ou multar essas instituições. Conheça a luta maior, que é a burocracia, que tenta derrubar essas iniciativas.
Veja também o que acontece quando o poder público finalmente decide colaborar com uma creche, que vinha lutando sozinha ha décadas, ultilizando-se do senso de cidadania e de alimentação saudável como fundamentos.

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Dedicado a Alexandre P.

Um comentário:

  1. Darcy Ribeiro normalmente nomeava o Brasil como uma "máquina de moer gente": em toda nossa história, fomos condenados pelas nossas eternas metrópoles ou por nossas elites retrógradas a desgastar nossas vidas em trabalhos degradantes, violências absurdas... não restando outro sentido a nós, negros, brasilíndios, mulatos, sertanejos e cafuzos iletrados, procriar e dar continuidade a esse projeto sem sentido de "nação que nunca existiu para si". Sendo um nacionalista reformista, ele acreditava que a reversão do quadro viria de ações parlamentares conscientes num regime "democrático". As propagandas governamentais nos dizem que a transformação já ocorreu, estamos em outros tempos, onde todos tem voz e vez e somos respeitados internacionalmente...

    Mas por trás disso tudo ainda prevalece uma massa disforme de rostos anônimos habitando às margens de tudo, com suas vidas ainda sem sentido, gastas em paradas de ônibus e em telenovelas que sempre se repetem. Essa massa de zumbis melancólicos que acordam antes do sol raiar, como em outrora, continua a ter seus filhos, talvez para encher com um pouco de alegria o vazio do cotidiano, ou por simples descuido de uma fugaz fornicação. Os seres que nascerão desses ventres estarão fadados até antes de nascer. Criados a sacrifícios desumanos e desnecessários de seus pais, talvez sobrevivam à seleção urbana da violência, do desemprego, das drogas, das pandemias... e possam enfim alocar-se no mercado de trabalho, no subemprego, enquanto tem esperança de algo melhor (e concordam com a propaganda e se culpam de sua situação). Os anos da infância nada mais foram que grades e mais grades: das escolas, dos hospitais, das creches, dos reformatórios, de casa, e outras instituições vazias onde se passam os anos (entre palmadas e gritos de impaciência) da terna idade para nada, a não ser sobreviver. E sobreviver já é uma tarefa difícil demais, que deve-se lutar para tal. Qual a diferença disso para um animal? A rebeldia se justifica aí.


    "Vapor barato, um mero serviçal do narcotráfico,
    foi encontrado na ruína de uma escola em construção.
    Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína.
    Tudo é menino e menina no olho da rua.
    O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra lua.
    Nada continua.
    E o cano da pistola que as crianças mordem,
    reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito mais bonita e muito mais intensa do que um cartão postal.
    Alguma coisa está fora da ordem,
    fora da nova ordem mundial"

    Caetano

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